26 março 2008

REFLETINDO

Estive pensando em muitas coisas... No tempo que dedicamos a alguém e o quanto isto nos faz bem. Depois, o quanto isto também nos consome, aos poucos, com o passar dos anos. Estive pensando o quanto o amor assume um caráter de posse para algumas pessoas... e para outras, a feição do descaso. Também, pensei que em certos casos o amor deixa de existir e passa a ser comodismo... uma vestidura de todo dia; uma receita rotineira... um hábito comum o qual se acostuma e fica difícil se desvencilhar. Ao meu ver, que tenho claro o conceito de amor e que está bastante longe desta observação, tudo isto acima não é amor e sim uma equivocada forma de tentar encontrar uma razão para si mesmo. É um caminho do meio para encontrar o primeiro amor: o amor por si próprio, pois quem a si mesmo não ama, não sabe amar ninguém.
"Feliz de quem amou a si mesmo um dia
e neste dia, se encontrou no olhar de outra pessoa"
Catarina Poeta

2 comentários:

Paulo Rio de Janeiro disse...

"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."

Nascida na Ucrania, a autora deste pensamento é reconhecida internacionalmente como uma das maiores da literatura brasileira: Clarice Lispector.

Apesar dos laços familiares com minha mãe não cheguei exatamente a conhecê-la. Não, como gostaria. Eu a vi algumas vezes lá em casa, ou em reuniões familiares, mas jamais conversamos. A coleção completa de seus livros em minha casa e o muito que mamãe sempre falou dela forjou em mim uma imagem de mulher forte, decidida e extremamente sensível. A pertir de então não parei de admirá-la.

Depois que se separou do marido, Clarice publicou vários livros e manteve colunas em jornais. Em um dos seus textos mais belos ela reforça a idéia de que amando é que se experimenta a verdadeira felicidade. Espero que gostem:

"Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."

Obrigado pela visita e pelo comentário.

Paulo Rio de Janeiro

Anônimo disse...

Engraçado. Escrevi meu comentário mencionando a Clarice sem ao menos sonhar que gosta tanto dela, ou que a cita com a frequencia de quem admira. Legal! Parabéns! Uma mulher como ela merece ser cultuada, até.

Boa noite.

Paulo Rio de Janeiro

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